Arquivo de julho de 2008

Aprender a soltar

terça-feira, 22 de julho de 2008

Desprender-se é mais que um desafio, especialmente da imagem que temos daquilo que somos e fazemos.

Sem ignorar o êxito de uma nova conquista, o ideal seria com humildade saborá-la como quem percorre a vida pelo gosto de por tudo e por todos admirar -se.

Aproveite o texto a seguir:

Escrito por Gabriel Perissé
10-Jul-2008

Soltar os cachorros. Sobre aqueles que nos manipulam. Sobre aqueles que nos tratam como animais.

Soltar os pássaros. Pela janela. Em nome do infinito. Tendo ao longe o horizonte. Tendo por perto a vontade de voar também.

Soltar os cavalos. Pelo mundo afora. Pela vida afora. Com a alegria de correr. Com a esperança de chegar. Com a velocidade do amor. Sem medo de ir. Sem medo de voltar.

Soltar as árvores. De suas sementes esmagadas. Acompanhar-lhes o crescimento. Colher seus frutos na hora exata. Aprofundar suas raízes. E que suas folhas sejam muitas. Que sua sombra seja imensa.

Soltar os filhos. De meus medos infundados. Deixá-los ser o que hão de ser. Soltá-los sem abandoná-los. Soltá-los sem esquecê-los. Soltá-los de amarras imaginárias. Soltá-los para a vida. Preparados para viver a sua própria vida, não a minha, não a de ninguém.

Soltar as palavras. Libertá-las da sintaxe enrolada. Soltar as palavras no texto. Soltar as palavras dos falsos pretextos. Soltar as palavras aqui e agora. Soltá-las com força. Soltá-las com raiva. Soltá-las em lirismo. Soltá-las em drama. Soltá-las do dicionário-presídio. Soltá-las da gramática-exílio.

Soltar as idéias dia a dia. Soltá-las em ordem, em desordem. Soltá-las na conversa, à mesa, na fila do banco, no banco de praça, na pressa e na calma. Soltá-las, servi-las. Entregá-las aos outros. Trocá-las por outras. Acrescentá-las a muitas outras idéias. Idéias soltas nos prendem à tarefa que nos cabe cumprir.

Soltar os braços. Para trabalhar. Para nadar. Para lutar. Para criar. Soltá-los hoje. Soltá-los amanhã. Soltá-los do corpo. Deixar que se estendam. Que envolvam o mundo. Que dêem mil voltas ao planeta. Que alcancem as estrelas. Que acolham o divino. Que abracem, abracem.

Soltar a voz. Cantando. Gritando. Chorando. Ensinando. Avisando. Por tudo e por nada. Em guerra, em paz. Por um motivo justo ou porque tanto faz. Estando com outros. Falando sozinho.

Soltar as velas. Na hora de partir. Na hora do mar. As ondas. Os peixes. A terra não vista. A vista perdida. Soltar as velas de novo. De novo soltá-las. As velhas velas de novo.

Soltar-me a mim mesmo. Ainda é bem cedo. Soltar-me de mim. Do inquisidor que eu sou. Do sinhozinho que eu sou. Do ditador que eu sou.

Soltar o leitor. Soltá-lo de mim. Que ele seja o autor de sua própria leitura.

Aprender a soltar-se.

Gabriel Perissé é doutor em educação pela USP e escritor.

Website: http://www.perisse.com.br/

O MACACO, A CUMBUCA E A DIFÍCIL DECISÃO DE PERDER.

sábado, 5 de julho de 2008

Macacumbuca

OLÁ PESSOAL !

Apresentei no CIEC uma armadilha feita com uma cabaça e uma fruta   usada para capturar macacos. Diferente de outras armadilhas de captura essa tem um componente muito interessante que é cognitivo-emocional. O macaco enfia a mão na cabaça com uma fruta ou um doce,mas com a fruta apreendida a sua mão fica presa,pois o conjunto mão/fruta não passa pelo orifício feito na cabaça.  O animal não solta a fruta de jeito algum e assim fica preso horas até ser capturado pelo caçador.Podemos extrapolar esse  experimento para nós humanos e pensar um pouco sobre esse comportamento.  O animal não quer “perder” o seu objeto de desejo e assim fica aprisionado, pois soltar ou perder é uma difícil decisão.  Para fazer essa escolha , o animal ou o ser humano precisa “ver mais além” ou ter uma  percepção mais aguçada dos problemas cotidianos  e ver que o apego e o ego nos aprisionam terrivelmente.  A liberdade plena vem com a conquista da sabedoria.  Perder certezas absolutas, relacionamentos e muitas emoções sombrias fazem parte da sabedoria  humana. Sim, às vezes, é preciso perder para ganhar!!

Sérgio Nobel Abdala Thomé

Cumplicidade

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Prezados Amigos e admiradores do CIEC

Mas o que é que se passa conosco?

Por que as pessoas mesmo reconhecendo a imensa contribuição que o curso da Eunice/Tamar/Fernanda trouxe para seu cotidiano, para suas vivências diárias, em determinado momento nós nos afastamos do CIEC. O que nós (ex-alunos e colaboradores) precisaríamos implementar para não só apoiar a trajetória dessa ONG como ajudar-nos a mutuamente perserverar com a prática do método e do desenvolvimento pessoal.

A dúvidas afligem, porém a criatividade às superará. Disso, quero eu sempre participar.

Abrçs a todos.

Celso Vegro